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Maranhão na vanguarda da agricultura sustentável

Esse cenário começou a ser desenhado com a criação da FAPCEN - Fundação de Pesquisa do Corredor Centro-Norte, há cerca de 25 anos, na cidade de Balsas (MA).

Enquanto em âmbito nacional o debate sobre queimadas na Amazônia e riscos à preservação ambiental movimentou governantes e especialistas, o estado do Maranhão afirma-se cada vez mais na vanguarda da agricultura sustentável. Em 2018 foram produzidas 4,5 milhões de toneladas de soja sustentável em todo o planeta, das quais 85% são de origem brasileira. Apesar desse volume expressivo, do total de soja cultivada no Brasil (118 milhões de tons) somente 3% (3,9 milhões de tons) seguiu princípios socioambientais reconhecidos por certificadores internacionais.

Já no Maranhão, das 2,9 milhões de tons de soja produzidas em 2018, 30% (875 mil tons) foram certificadas. A certificação é concedida pela RTRS (Associação Internacional da Soja Responsável), organização que promove a produção, processamento e comercialização responsável de soja. Por trás desse selo está um padrão aplicável mundialmente que garante uma produção de soja ambientalmente correta, socialmente justa e economicamente viável.

Até chegar a esses resultados, muito trabalho foi feito. Esse cenário começou a ser desenhado com a criação da FAPCEN – Fundação de Pesquisa do Corredor Centro-Norte, há cerca de 25 anos, na cidade de Balsas (MA). O objetivo era dar suporte à cultura da soja e ao Corredor de Exportação Norte, formado pelo volume de soja produzido no Maranhão, Tocantins e Piauí, escoado pelo Porto do Itaqui. Atualmente a fundação possui campos de experimentação e pesquisa no Maranhão, Piauí e Tocantins, e em outros 13 estados brasileiros, a maioria deles com foco na produção de sementes de soja.

De janeiro a novembro deste ano foram movimentadas, pelo Porto do Itaqui, 7,7 milhões de toneladas de soja, volume que já é maior do que o registrado no ano passado, quando houve uma supersafra de grãos. “Hoje o porto público do Maranhão está preparado para exportar toda essa produção e a demanda crescente dos próximos anos. A segunda fase do Tegram, investimentos públicos e privados em infraestrutura portuária e o sistema de gestão implantado no Itaqui podem garantir as condições necessárias para movimentar o dobro do volume de grãos que temos hoje”, afirma o presidente do Porto do Itaqui, Ted Lago.

Reconhecimento

O esforço que vem sendo feito pelo Governo do Maranhão, no sentido de tornar a cadeia produtiva da soja cada vez mais sustentável e de preparar o Porto do Itaqui por meio da gestão da EMAP – Empresa Maranhense de Administração Portuária, vem tendo reconhecimento internacional. Neste ano o presidente Ted Lago representou o governador Flávio Dino na RT14 – Conferência anual da RTRS, realizada em Utrecht, Holanda, no primeiro semestre.

A RT14 é o maior fórum internacional para discussão sobre a soja responsável e a participação do Maranhão, como destaca Ted Lago, consolida esse trabalho que envolve produtores, governos e a gestão do Itaqui, por onde é escoada a soja produzida no Maranhão e também em outros estados, como Tocantins, Mato Grosso, Piauí e Pará.

“Tivemos a oportunidade de apresentar o que vem sendo feito no estado e conhecer projetos desenvolvidos em outras partes do mundo com o objetivo de fortalecer e ampliar o volume de produção da soja sustentável em nossa área de influência, garantindo segurança alimentar para o mercado que precisa dessa produção sem perder de vista a sustentabilidade”, afirma Ted Lago. O próximo passo é certificar toda a cadeia de custódia, das fazendas ao porto.

Raio X da soja responsável no Brasil

A RTRS divulgou relatório sobre a produção de soja responsável no país, que hoje é responsável por 592 mil hectares de florestas nativas preservadas nas fazendas. Para cada hectare de área produtiva, há 0,59 hectares de florestas naturais preservadas, o que representa cerca de 616 milhões de árvores preservadas nas florestas naturais e mais de 64 milhões de toneladas de carbono armazenadas.

Cada tonelada de soja certificada pela RTRS equivale a 157 árvores preservadas ou 16 toneladas de carbono armazenadas. Portanto, quando uma empresa adquire soja RTRS, ela adquire florestas preservadas junto

As 226 fazendas certificadas pela RTRS no Brasil empregam cerca de 10 mil funcionários diretos e mais de 25 mil indiretos. A produtividade nessas fazendas é 11,5% maior que a média nacional, o que significa pelo menos 120 mil hectares de floresta nativa não convertidas para produção agrícola.

Para obter e manter a certificação essas fazendas precisam ter, entre outros requisitos, gerenciamento de resíduos, práticas de gestão para reduzir o uso de agroquímicos, rotação de culturas (soja – milho – plantas de cobertura do solo), monitoramento em tempo real (plantio, colheita) para controle de cada hora de uso de máquinas e cada litro de agroquímico, por exemplo. Todas as propriedades são auditadas anualmente.

“O auditor internacional visita todas as fazendas, entrevista todos os funcionários e as comunidades para saber o impacto dessa propriedade, principalmente a questão de agroquímicos e desmate, que só pode ter ocorrido até junho de 2016, senão não certifica”, explica a superintendente da FAPCEN, Gisela Introvini.

Os resultados colocam o Maranhão em um novo patamar, que é o de oferecer ao mundo uma imagem internacional da soja certificada, com base em princípios e critérios. 

Fonte: AgroClima

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